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    Experiências de psicólogos da rede de atenção psicossocial nos territórios de saúde do Alto Tietê
    (Universidade de Mogi das Cruzes, 2023) Silva, Flávio Alves da
    A Reforma Psiquiátrica, e a consequente criação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), aponta para uma nova compreensão sobre o adoecimento psíquico, assim como reorienta a organização dos serviços e as práticas em saúde mental. A RAPS pressupõe que o cuidado voltado a pessoas em sofrimento mental deve ser ofertado no território a partir de estratégias diversas que potencializem a reinserção e a preservação dos laços afetivos, familiares e comunitários dos usuários. Este é um estudo analítico de abordagem qualitativa, que teve por objetivo analisar a experiência de psicólogos que atuam na Rede de Atenção Psicossocial nos territórios de saúde da região, bem como possíveis entraves e potencialidades. O estudo se utiliza da História Oral Temática como caminho metodológico e contou com a participação de 7 (sete) psicólogos que atuam na RAPS da região do Alto Tietê. Os resultados evidenciam que a articulação de redes de saúde mental na região encontra diversos entraves e limites que comprometem sua eficácia. Os profissionais atuam em condições precárias para atuação tendo, muitas vezes, a si mesmos como principal ferramenta de trabalho. Estratégias como o apoio matricial, que consiste em um trabalho conjunto entre profissionais de diferentes níveis de formação e especialidades, com o objetivo de compartilhar saberes e experiências, bem como de promover a integração e a coordenação das ações em saúde mental e potencializar o cuidado, ainda não se consolidaram na região, o que leva gera o risco de que a assistência em saúde se organiza a partir de lógicas medicalizantes organizem a rede de forma engessada. As principais práticas em saúde mental são realizadas em grupos e que tais dispositivo potencializam o desenvolvimento da autonomia dos sujeitos e sua inclusão na comunidade, porém, em muitos contextos, os grupos são utilizados como forma de amenizar as dificuldades infraestruturais e as condições precárias de trabalho, como a sobrecarga de trabalho e a falta de profissionais. Verifica-se, também, que as formações em saúde ainda são atravessadas por lógicas manicomiais, que tais concepções perpassam a prestação de assistência em saúde mental, e que muitos profissionais entendem que as formações em saúde não os instrumentalizam para atuar no Sistema Único de Saúde e se percebem despreparados para prestar assistência aos usuários dos serviços da RAPS. A organização dos serviços em rede deve ter como objetivo a ampliação do alcance das políticas em saúde mental e fortalecer a inserção comunitária de pessoas com transtornos mentais, neste sentido, é fundamental que as redes sejam organizadas e preparadas para prestar assistência aos usuários dos serviços, para isso é fundamental que as redes estejam articuladas, tenham estratégias que fortaleçam a ação nos territórios, criem condições adequadas de trabalho e capacitem os trabalhadores para atuar no contexto da saúde mental.
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