Pós-Graduação Stricto Sensu UMC
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Item type:Item, Percepção socioambiental como ferramenta para a conservação da RPPN Botujuru(Universidade de Mogi das Cruzes, 2025-02-26) Siqueira, Cínthia Mara Santos; Morini, Maria Santina de CastroA Mata Atlântica brasileira representa um dos biomas mais relevantes para a conservação da biodiversidade global e desempenha um papel fundamental na oferta de serviços ecossistêmicos indispensáveis à qualidade de vida da sociedade, como a regulação do clima, a proteção dos recursos hídricos e a manutenção da fertilidade do solo. No entanto, esse patrimônio natural tem sido gravemente ameaçado por atividades antrópicas intensas, como o desmatamento, a urbanização desordenada e a degradação ambiental, que comprometem não apenas a integridade ecológica do bioma, mas também o bem-estar das populações humanas que dele dependem. Para enfrentar esses desafios, foi instituída a Lei da Mata Atlântica, que visa proteger, restaurar e promover o uso sustentável dos recursos naturais associados a esse ecossistema singular. As Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) surgem como uma importante ferramenta de implementação dessa legislação, oferecendo uma alternativa de conservação voluntária, integrada ao uso responsável da terra. A RPPN Botujuru, situada na Serra do Itapeti, no município de Mogi das Cruzes (SP), destaca-se como uma área voltada à regeneração do ciclo biológico de espécies nativas e à preservação do patrimônio histórico e cultural local, assumindo papel estratégico na proteção da biodiversidade regional. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar a percepção socioambiental dos moradores e demais partes interessadas que vivem no entorno da RPPN Botujuru. A pesquisa demonstrou que a percepção socioambiental é uma ferramenta valiosa para o fortalecimento das ações de conservação em Unidades de Conservação, como é o caso da RPPN Botujuru. Os resultados indicam que, embora exista um conhecimento limitado por parte da população sobre as políticas ambientais vigentes e sobre o papel das RPPNs, há uma manifestação expressiva de interesse pela proteção do meio ambiente e pela participação em atividades coletivas voltadas à sua conservação. Os dados também evidenciam uma lacuna significativa no acesso à informação sobre questões ambientais e políticas públicas relacionadas, o que pode comprometer o engajamento efetivo da comunidade. No entanto, a valorização das áreas verdes pelos entrevistados e a disposição em colaborar com ações coletivas apontam para a necessidade urgente de estratégias de Educação Ambiental que priorizem o fortalecimento da consciência crítica, o empoderamento social e a promoção de uma cultura de responsabilidade compartilhada na conservação da biodiversidade.Item type:Item, Distribuição, variação fenotípica e impactos socioeconômicos de formigas-de-fogo (Solenopsis spp.) na Mata Atlântica Brasileira(Universidade de Mogi das Cruzes, 2025-08-25) Nagatani, Victor Hideki; Morini, Maria Santina de CastroO gênero Solenopsis apresenta 191 espécies e 22 subespécies distribuídas no mundo, sendo a América do Sul a região com maior riqueza. A identificação das espécies é complexa, devido, principalmente, à morfologia, basicamente, com caracteres diagnósticos de difícil discriminação. No Brasil, especialmente S. invicta e S. saevissima, conhecidas como formigas-de-fogo ou formigas-lava-pés, ocorrem com muita sobreposição, o que dificulta a delimitação destas espécies em seus habitats naturais. Devido à intensa urbanização e à extensão de áreas agrícolas, a tendência é o aumento das populações, principalmente de S. invicta. Essa espécie é notória por invadir regiões fora do seu domínio natural, causando imensos impactos econômicos. No território brasileiro, pouco se sabe sobre este impacto, apesar de formigas-de-fogo ocorrerem ao longo da Mata Atlântica, que é extremamente urbanizada, industrializada e com extensas áreas agrícolas. Além disso, não é de ocorrência natural de S. invicta. Neste trabalho, avaliamos na Mata Atlântica brasileira: (i) a distribuição de ocorrência de S. invicta e S. saevissima ao longo das décadas; (ii) a descrição, distribuição da variação da coloração em S. saevissima, testando as hipóteses de fotoproteção e melanismo térmico em relação às variáveis abióticas; e (iii) a percepção dos agricultores sobre os impactos socioeconômicos ocasionados por formigas-de-fogo. Visitas a coleções biológicas, expedições de coleta e consulta a banco de dados foram efetuadas para que informações de ocorrência e distribuição pudessem ser resgatadas. Em seguida foi usada a biblioteca espectral do Mapbiomas, que possui dados da cobertura florestal da Mata Atlântica de 1985-2018, para a construção de mapas de distribuição das espécies ao longo do tempo. Cada espécime de S. saevissima foi fotografado para a extração das cores da cutícula e variáveis ambientais foram obtidas por meio da biblioteca Chelsea e WorldClim. Um questionário foi aplicado aos agricultores para avaliar a percepção dos impactos que estas formigas causam ao sistema agrícola. Os resultados mostram uma expansão significativa de S. invicta em direção à costa e de S. saevissima para o interior do Brasil, que não é seu habitat natural, com sobreposição nas regiões Sul e Sudeste ao longo de quatro décadas. Nestes resultados, destacam-se a influência urbana e os desafios de delimitação da ocorrência das espécies sob crescente impacto antrópico. Solenopsis saevissima apresenta um padrão de duas cores, com uma distribuição sobreposta de suas variantes e não foi possível confirmar qual hipótese de coloração cuticular se adequa a espécie. Destacam-se nestes resultados a influência das variações intraespecíficas e a necessidade de explorar mais a relação cor e habitat. Sobre a percepção dos agricultores, o impacto econômico e de saúde foi menor do que o esperado, com a maioria dos participantes relatando danos moderados ou baixos, contrastando com experiências internacionais. Além disso, ressalta-se a necessidade de monitoramento contínuo e controle adaptado ao contexto local. Compreender a distribuição temporal de S. invicta e S. saevissima é fundamental para orientar estratégias de manejo que mitiguem os impactos de S. invicta na Mata Atlântica e preserve S. saevissima, ameaçada pela hibridização. Destaca-se também a relevância do conhecimento sobre as características morfológicas da espécie, como a variação na coloração, para estudos taxonômicos. Além disso, a percepção dos agricultores sobre o impacto,mesmo que moderado, das formigas-de-fogo nos cultivos, configura-se como uma ferramenta valiosa para subsidiar o planejamento de políticas públicas voltadas à gestão ambiental.Item type:Item, “Projeto Pomares da Mata Atlântica”: sistemas agroflorestais e sustentabilidade da propriedade rural(Universidade de Mogi das Cruzes, 2021) GOTO, Mariana AyumiA Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo abriga a região do Alto Tietê - Cabeceiras, que apresenta uma importante área de proteção aos mananciais e marcante atividade agrícola familiar. Nessa região, o Instituto Auá, entre 2017 e início de 2019, desenvolveu o “Projeto Pomares da Mata Atlântica” para promover Sistemas Agroflorestais (SAFs) com espécies de plantas nativas da Mata Atlântica em propriedades rurais, localizadas em área de proteção aos mananciais nos municípios de Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim e Salesópolis do estado de São Paulo. O presente trabalho objetivou direcionar políticas públicas no âmbito da implementação de Sistemas Agroflorestais com espécies de plantas nativas da Mata Atlântica nas propriedades rurais participantes do “Projeto Pomares da Mata Atlântica”, e especificamente (I) Caracterizar os participantes do “Projeto Pomares da Mata Atlântica” e suas propriedades rurais; (II) Descrever a influência do “Projeto Pomares da Mata Atlântica” nas propriedades rurais; (III) Analisar a influência das variáveis sociopsicológicas diretas da Teoria do Comportamento Planejado na intenção dos proprietários rurais em adotar ou aperfeiçoar os Sistemas Agroflorestais (SAFs) com espécies de plantas nativas da Mata Atlântica; (IV) Investigar o nível de sustentabilidade social, econômica e ambiental das propriedades rurais com diferentes níveis de intenção em adotar ou aperfeiçoar os SAFs com espécies de plantas nativas da Mata Atlântica. Para tanto, foram entrevistados 35 proprietários rurais dos municípios de Mogi das Cruzes (13 proprietários), Biritiba Mirim (11 proprietários) e Salesópolis (11 proprietários). Todos os participantes responderam um questionário dividido em quatro partes para atender aos respectivos objetivos um, dois, três e quatro. Os dados da primeira, segunda e terceira parte do questionário foram analisados pelo método estatístico descritivo, e a quarta parte foi analisada por estatística inferencial. Dentre os resultados, obteve- se que o sistema de uso da terra utilizado pelos participantes do “Projeto Pomares da Mata Atlântica” é variado, há sistemas: convencionais, em transição, orgânicos e agroecológicos, e nelas são realizadas práticas agroecológicas. Em relação a influência do “Projeto Pomares da Mata Atlântica”, foram poucos os proprietários que passaram a vender produtos, sementes e mudas de espécies nativas do bioma. E a grande maioria: aperfeiçoou ao menos uma das oito práticas agroecológicas abordadas durante o projeto; teve algum grau de satisfação e tem interesse em participar de um projeto similar. Já a respeito da Teoria do Comportamento Planejado, a atitude e a norma subjetiva foram estatisticamente significativas na intenção dos proprietários em adotar ou aperfeiçoar os Sistemas Agroflorestais com as plantas de espécies nativas da Mata Atlântica. Por fim, sobre a sustentabilidade das propriedades rurais: uma é sustentável, a maioria é potencialmente sustentável e a minoria é potencialmente insustentável.
