Pós-Graduação Stricto Sensu em Biotecnologia

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    Distribuição, variação fenotípica e impactos socioeconômicos de formigas-de-fogo (Solenopsis spp.) na Mata Atlântica Brasileira
    (Universidade de Mogi das Cruzes, 2025-08-25) Nagatani, Victor Hideki; Morini, Maria Santina de Castro
    O gênero Solenopsis apresenta 191 espécies e 22 subespécies distribuídas no mundo, sendo a América do Sul a região com maior riqueza. A identificação das espécies é complexa, devido, principalmente, à morfologia, basicamente, com caracteres diagnósticos de difícil discriminação. No Brasil, especialmente S. invicta e S. saevissima, conhecidas como formigas-de-fogo ou formigas-lava-pés, ocorrem com muita sobreposição, o que dificulta a delimitação destas espécies em seus habitats naturais. Devido à intensa urbanização e à extensão de áreas agrícolas, a tendência é o aumento das populações, principalmente de S. invicta. Essa espécie é notória por invadir regiões fora do seu domínio natural, causando imensos impactos econômicos. No território brasileiro, pouco se sabe sobre este impacto, apesar de formigas-de-fogo ocorrerem ao longo da Mata Atlântica, que é extremamente urbanizada, industrializada e com extensas áreas agrícolas. Além disso, não é de ocorrência natural de S. invicta. Neste trabalho, avaliamos na Mata Atlântica brasileira: (i) a distribuição de ocorrência de S. invicta e S. saevissima ao longo das décadas; (ii) a descrição, distribuição da variação da coloração em S. saevissima, testando as hipóteses de fotoproteção e melanismo térmico em relação às variáveis abióticas; e (iii) a percepção dos agricultores sobre os impactos socioeconômicos ocasionados por formigas-de-fogo. Visitas a coleções biológicas, expedições de coleta e consulta a banco de dados foram efetuadas para que informações de ocorrência e distribuição pudessem ser resgatadas. Em seguida foi usada a biblioteca espectral do Mapbiomas, que possui dados da cobertura florestal da Mata Atlântica de 1985-2018, para a construção de mapas de distribuição das espécies ao longo do tempo. Cada espécime de S. saevissima foi fotografado para a extração das cores da cutícula e variáveis ambientais foram obtidas por meio da biblioteca Chelsea e WorldClim. Um questionário foi aplicado aos agricultores para avaliar a percepção dos impactos que estas formigas causam ao sistema agrícola. Os resultados mostram uma expansão significativa de S. invicta em direção à costa e de S. saevissima para o interior do Brasil, que não é seu habitat natural, com sobreposição nas regiões Sul e Sudeste ao longo de quatro décadas. Nestes resultados, destacam-se a influência urbana e os desafios de delimitação da ocorrência das espécies sob crescente impacto antrópico. Solenopsis saevissima apresenta um padrão de duas cores, com uma distribuição sobreposta de suas variantes e não foi possível confirmar qual hipótese de coloração cuticular se adequa a espécie. Destacam-se nestes resultados a influência das variações intraespecíficas e a necessidade de explorar mais a relação cor e habitat. Sobre a percepção dos agricultores, o impacto econômico e de saúde foi menor do que o esperado, com a maioria dos participantes relatando danos moderados ou baixos, contrastando com experiências internacionais. Além disso, ressalta-se a necessidade de monitoramento contínuo e controle adaptado ao contexto local. Compreender a distribuição temporal de S. invicta e S. saevissima é fundamental para orientar estratégias de manejo que mitiguem os impactos de S. invicta na Mata Atlântica e preserve S. saevissima, ameaçada pela hibridização. Destaca-se também a relevância do conhecimento sobre as características morfológicas da espécie, como a variação na coloração, para estudos taxonômicos. Além disso, a percepção dos agricultores sobre o impacto,mesmo que moderado, das formigas-de-fogo nos cultivos, configura-se como uma ferramenta valiosa para subsidiar o planejamento de políticas públicas voltadas à gestão ambiental.
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    Raridade de formigas (Hymenoptera: Formicidae) na serapilheira da Mata Atlântica Brasileira
    (Universidade de Mogi das Cruzes, 2022) Silva, Nathalia Sampaio da
    A raridade de uma espécie pode ser definida por diferentes conceitos, mas que está sempre ligada ao sentido de restrição ou escassez. Ela é uma ferramenta importante de conservação, pois indica quais espécies precisam de proteção urgente. Contudo, insetos geralmente são negligenciados em políticas de conservação, e isto se torna um grave problema, tendo em vista que estudos recentes apontam para extinção em massa desses animais. Centros de raridade, como a Mata Atlântica, sofrem com a perda de habitat, sendo uma das principais causas de extinção das espécies. Diante desse cenário, os objetivos desta tese foram: (i) analisar como a raridade em formigas é definida pela literatura mundial; (ii) utilizar um método de classificação de raridade (Formas de Rabinowitz) para identificar formigas raras na serapilheira de Mata Atlântica brasileira; (iii) analisar a raridade funcional destas formigas. De acordo com o levantamento bibliográfico, realizado para o nosso primeiro objetivo, as formigas têm a sua raridade associada principalmente pela ocorrência e abundância. Contudo, nem todas as publicações explicam o conceito de raridade adotado. Além disso, a inadequação das técnicas de coleta e subamostragem em diferentes áreas e ambientes dificultam o conhecimento sobre formigas raras. Em relação ao nosso segundo objetivo, a mirmecofauna da Mata Atlântica brasileira apresenta diferentes níveis de raridade, sendo que a maioria não consta nas listas de fauna ameaçada de extinção do Brasil. Os resultados do terceiro objetivo demonstram quem além da raridade taxonômica, as formigas deste bioma também possuem raridade funcional. Tanto formigas comuns e as raras taxonomicamente, são funcionalmente únicas. Desta forma, estes dados mostram a importância da inclusão de diferentes facetas da raridade (taxonômica e funcional) nas políticas de conservação, para assegurar a preservação da diversidade de formigas e dos serviços ecossistêmicos prestados.
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    Efeito das variáveis ambientais sobre as comunidades de poneromorfas (hymenoptera: formicidae) em áreas de eucalipto
    (Universidade de Mogi das Cruzes, 2024) Nagatani, Cauê
    Eucalyptus saligna é amplamente encontrado em florestas tropicais devido ao seu rápido crescimento e a sua utilização na produção de papel e madeira compensada. No entanto, os cultivos comerciais de eucalipto, de uma maneira geral, levam à simplificação das comunidades de animais e vegetais nos ecossistemas nativos. Apesar disso, em paisagens fragmentadas, as plantações de eucalipto também podem desempenhar um papel na conservação da biodiversidade, fornecendo refúgio para espécies nativas de fauna e flora. Os invertebrados desempenham funções essenciais nos processos ecológicos e podem servir como indicadores de distúrbios ambientais em monoculturas. A comunidade de Poneromorfas representa cerca de 25% da diversidade local de Formicidae em ambientes tropicais, sendo consideradas predadoras por excelência, mas generalistas por convergência e importantes dispersoras de frutos. A imensa diversidade morfológica, comportamental e ecológica, faz do grupo um bom modelo de estudos. Analisamos as comunidades de Poneromorfas em áreas de eucalipto com diferentes idades de plantio. Selecionamos aleatoriamente 20 sítios situados nos municípios de Mogi das Cruzes, Bertioga e Salesópolis, subdivididos em cinco áreas para cada tipo de floresta (FOD - Floresta Ombrófila Densa; E1 eucalipto no primeiro ciclo de corte; E2 eucalipto no quarto ciclo de corte e E3 - eucalipto com aproximadamente 28 anos sem manejo). As variáveis bióticas, cobertura arbórea e abundância de invertebrados, foram analisadas; também coletamos as variáveis abióticas, argila, areia grossa e fina, pH da serapilheira, umidade relativa do solo e temperatura do solo. Registramos um total de 14 espécies e morfoespécies de Poneromorfas, 8 gêneros e 3 subfamílias. As Ponerinae foram as mais bem representadas. As plantações de eucalipto com manejo (E2.1) = 28 anos foram as menos ricas e diversas, e também os mais similares em relação às comunidades. Os resultados mostram que a comunidade de Poneromorfas na Floresta Ombrófila Densa e em plantações de eucalipto sem manejo (E3.1) = 28 anos é mais rica quando comparada às demais. Sugerimos que as variáveis ambientais influenciam as Poneromorfas, e que nossos resultados estão relacionados à presença de locais com maior disponibilidade de alimento e sítios de nidificação. Florestas diferentes apresentam composição abiótica e biótica também diferentes; e heterogeneidade e complexidade do ambiente atreladas à qualidade de recursos, são características importantes para a estruturação das comunidades de Poneromorfas.
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    Efeito da heterogeneidade espacial em multiescala na diversidade de formigas em áreas de eucalipto
    (Universidade de Mogi das Cruzes, 2023) Silva, Nicole Nascimento da
    As modificações nas paisagens causadas pelo aumento das áreas destinadas as plantações de eucalipto, onde antes eram floresta nativa, podem impactar a biodiversidade, estabelecendo filtros ambientais que podem favorecer espécies distúrbio-tolerantes e, consequentemente, homogeneizar as comunidades biológicas. As formigas são bioindicadoras ambientais frequentemente utilizadas em estudos de áreas antropizadas. A resposta biológica às consequências das alterações no ambiente, sofre influência da extensão espacial em que é analisada e existem conclusões divergentes acerca da melhor escala para as comunidades de formigas. Analisar em multiescala espacial a influência da heterogeneidade da paisagem das áreas de eucalipto com diferentes idades de plantio sobre a diversidade de formigas. As formigas foram amostradas em 9 paisagens heterogêneas espacialmente de plantações de eucalipto na Mata Atlântica em São Paulo, Brasil. A relação entre a diversidade taxonômica (α e β) com a diversidade da paisagem (Índice de Diversidade de Shannon) e a cobertura florestal (%) foi analisada em 4 escalas espaciais (250m, 500m, 750m e 1000m). A riqueza de espécies respondeu positivamente para o aumento de heterogeneidade da paisagem e negativamente para o aumento da cobertura florestal. Em ambos os casos a escala de efeito foi em 1000m. A diversidade beta total (βsor) apresentou resposta negativa ao aumento da diversidade da paisagem e não sofreu influência da cobertura florestal. A escala de efeito também foi 1000m. As áreas de plantio recente de eucalipto manejado influenciaram a diversidade α e β positivamente. Nossos resultados indicam que a diversidade da paisagem e a cobertura florestal são importantes preditores das métricas de diversidade biológica, principalmente a riqueza de espécies de formigas. Aumentar a heterogeneidade da paisagem e preservar os fragmentos de Mata Atlântica adjacentes, podem diminuir os impactos do eucalipto na biodiversidade. Além disso, como a diversidade de formigas respondeu de formas distintas às métricas de estrutura da paisagem em multiescala espacial, salientamos a importância de utilizar essa abordagem para que o planejamento da paisagem seja efetivo.
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    Imaturos de Formigas (Hymenoptera: Formicidae): panorama histórico e estudo taxonômico de três espécies de megalomyrmex forel, 1885
    (Universidade de Mogi das Cruzes, 2023) Magalhães, Fabrício Severo
    As formigas são os insetos eussociais que apresentam maior riqueza de espécies, dominando os ecossistemas terrestres. Apesar de amplamente estudadas em comparação à maioria das famílias de insetos, o conhecimento sobre as formigas apresenta lacunas em termos de sua distribuição, biologia e taxonomia. Este é o caso também dos imaturos, que foram pouco explorados nos trabalhos taxonômicos, em comparação aos adultos. Sabendo dessa lacuna, primeiramente conduzimos um levantamento do histórico do conhecimento sobre a taxonomia de imaturos de formigas para entender os desafios e oportunidades e, assim, fornecer direcionamento para a realização de estudos na área. Realizamos a compilação de trabalhos sobre taxonomia de imaturos de formigas publicados até o ano de 2022 através do An Online Catalog of the Ants of the World. Foram levantadas informações sobre o histórico taxonômico e distribuição das espécies. A partir da compilação e análise desses dados, um catálogo dos imaturos de formigas é disponibilizado neste trabalho junto com uma avaliação do estado de conhecimento. Foram contabilizados 15.635 registros de espécies e subespécies válidas de formigas, das quais 4,81% apresentaram descrições formais de pelo menos um estágio imaturo. Nossos dados demonstraram que grande parte do conhecimento a respeito de imaturos de formigas é oriundo dos trabalhos publicados por George Carlos e Jeanette Wheeler, e que, no geral, as publicações encontradas carecem de informações como o ínstar descrito, técnica aplicada e instituição depositária. Além de fornecer uma perspectiva do conhecimento dos imaturos de formigas, também conduzimos um estudo taxonômico das larvas de último ínstar de três espécies de Megalomyrmex Forel, 1885. Com 45 espécies válidas, distribuídas ao longo da Região Neotropical, as espécies do gênero exibem grande diversidade morfológica e uma variedade de comportamentos de nidificação, dieta e estratégias reprodutivas, com espécies de vida livre e parasitas sociais. Apesar de amplamente estudadas, o conhecimento sobre os imaturos do gênero, assim como nos demais táxons de formigas, permanece incipiente. Somente a larva de uma única espécie foi reportada até o momento, Megalomyrmex symmetochus Wheeler, 1925. Apresentamos pela primeira vez a descrição formal de larvas de último ínstar para três espécies de Megalomyrmex, sendo elas: Megalomyrmex ayri Brandão, 1990, Megalomyrmex goeldii Forel, 1912 e Megalomyrmex wallacei Mann, 1916. O estudo das larvas foi realizado usando imagens, ilustrações e lâminas preparadas com o exoesqueleto de larvas do último ínstar, visto que apresentam os últimos caracteres morfológicos antes do indivíduo empupar. Foram observadas diferenças morfológicas na presença e distribuição de setas, no clípeo e nas sensilas das larvas das três espécies avaliadas.